Por Claudia Salgado - Poe Na Roda - 4 de julho de 2019

Um estudo divulgado na última terça-feira (2) pela prestigiada revista científica Nature apontou um novo caminho que pode levar à cura do HIV.

Os pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Temple, no estado da Pensilvânia, e do Centro Médico da Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos, conseguiram eliminar o HIV do DNA de um animal vivo pela primeira vez.

Até o momento, pesquisas recentes conseguiram eliminar o HIV em duas pessoas, ambas tinham câncer de sangue terminal e foram submetidas a transplantes de medula óssea, um procedimento extremamente arriscado e fora de cogitação para um soropositivo que leva uma vida normal.

“Nosso estudo mostra que o tratamento para suprimir a replicação do HIV e a terapia de edição de genes, quando administrados sequencialmente, pode eliminar o HIV de células e órgãos de animais infectados”, disse um dos autores da pesquisa, Kamel Khalili, em comunicado. O trabalho foi resultado dos esforços de uma equipe composta por imunologistas, biólogos moleculares e farmacologistas.

Os resultados foram animadores porque, diferente dos tratamentos que impedem a multiplicação do HIV, indicaram a possibilidade da doença ser eliminada definitivamente do organismo. 

 

A medicação utilizada neste recente estudo se chama LASER ART, que tem a capacidade de reduzir o vírus. Utilizada conjuntamente com a edição de genes CRISPR, promoveu a eliminação do HIV em todo o genoma (DNA) de um terço de camundongos analisados em laboratório.

Com a segunda técnica (Crispr), foram editados os genes das células infectadas que não foram captadas pelo Laser Art. Com os dois processos combinados, o vírus foi eliminado em 30% dos 29 ratos usados na pesquisa. 

A segunda fase de testes, segundo os autores do estudo, está sendo realizada com primatas. Caso se mostre novamente bem-sucedido, o processo poderá ser repetido em humanos, com testes clínicos previstos para ter início no segundo semestre de 2020.

 

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